Segunda-feira, 29 de Junho de 2009

Devia existir um lugar onde a gente pudesse gritar, esmurrar, xingar, gastar toda essa energia de agressividade e depois se descabelar, arranhar e sangrar até se sentir um pouco melhor.
Depois vinha alguém e te abraçava até o coração aprender a pulsar mais calmo, sem se preocupar com o segundo seguinte.
E aí se esquecia dessa vida diplomática, de contenções e convenções socias. De datas, horários e prazos. De medir os afetos. De não sonhar demais. De ter que encarar a realidade.

Quero chorar uma semana inteira e, quando a semana acabar, virar pro lado e dormir.
Será que até agosto eu acordo?

Domingo, 28 de Junho de 2009

por escolher o silêncio quando devia gritar.

porque "um gesto vale mais que mil palavras" e não posso acreditar que desentenda um abraço.
e espero que não sinta dor, nem desespero em minha alma. o coração? qual coração? nunca tive espaço para guardar seres pulsantes no peito, muito menos agora.
muito menos depois do seu descuido. depois da falta de cuidado, como você entenda, que me desmoronou.
quando queria machucar, eu disse antes. e, quantas vezes me feriu, sem sequer perceber? e que dizer das tentivas de provar injustas minhas lágrimas? - mesmo sabendo que nem todas minhas dores escorrem.
e me contive demais, agora sou transbordante.


26.6.9

Sexta-feira, 26 de Junho de 2009

- Por quê você me pede tanta aspirina?
Não estou reclamando, embora isso custe dinheiro.
- É para eu não me doer.
- Como é que é? Hein? Você se dói?
- Eu me dôo o tempo todo.
- Aonde?
- Dentro, não sei explicar.

A Hora da Estrela - Clarice Lispector

"doa-se
a quem
doer."


André di Bernardi

Segunda-feira, 22 de Junho de 2009

uma vez alguém disse que, quando mulheres precisam se sentir leves, ficavam loiras.

então, sou camaleoa e estou de luto.

Domingo, 21 de Junho de 2009

O sonho da maioria das pessoas é a felicidade permanente. Isso não existe. A grande felicidade quase sempre vem depois de uma insatisfação. A vida é feita de oscilações, de altos e baixos. A oscilação é que dá prazer. A linha reta no eletrocardiograma é a morte.
Leopold Nosek

Sábado, 20 de Junho de 2009

(eu me sinto um tanto melhor quando digo que odeio as pessoas que amo.)

Sexta-feira, 19 de Junho de 2009

Vou tentar não me arrepender das escolhas que me sinto obrigada a fazer por mim mesma. Pela minha paz de espírito e pela calma no coração. Racionalizo vontades inversas ao passional: nunca te quis com tão pouco ardor antes. E, estou quase certa, minhas inúteis lágrimas não foram por você, mas para os vazios ininteligíveis que te inscrevem. Também quase me apagaram, suas borrachas, suas manchas, seus borrões, e ainda agora os fantasmas tentam me arrastar para seu lado, tanto mais imploro a distância. Bandeira branca! Não luto mais. Não quero mais aquele seu amor jurado, mas nunca cumprido.

Domingo, 14 de Junho de 2009

...e eu até já havia me esquecido que detestava ser assim: premonitória. como um estrategista vê o jogo duas ou três rodadas além. porque me habituei a só enxergar as possibilidades ruins e a torcer para que falhassem. mas acontecem. e nem sempre jogo sozinha. agora, ainda calculando os movimentos adversários - mas se jogamos juntos! - posso evitar um ou outro lance mais desastroso. mesmo assim, alguém desiste e atira tabuleiro e peças ao vento. as cartas sobre a mesa. costumava apreciar a imaginação de estar errada: afinal, nunca quis ganhar ou provar minhas habilidades a ninguém... se ao menos existisse um outro como eu, capaz de um passatempo pelo simples prazer de não deixar o tempo passar!
e por menos que eu possa anestesiar a dor, está decidido: não sofro mais. que migre o pássaro para onde for verão! voltarei ao meu inverno cinza de poluição e cigarros. e o aperto no peito, que nunca passou, e o coração que me mata ainda antes do pulmão. mas a vida é essa e sempre foi igual. pode voar porque eu sou terra de cerrado. e quando chover eu ciclo o verde antes de secar.

Sábado, 13 de Junho de 2009

- Eu não precisava de nada. Só queria te ter ao alcance da voz.

Chove lá fora para enxaguar meus desertos olhos.

Sexta-feira, 12 de Junho de 2009

Assim como a necessidade da escrita, quando ao poeta fogem as palavras há desespero. É leveza tão alta ou incômodo que apaga qualquer dizer. Assim eu fico e ficarei por um tempo: as palavras a se embolarem em mim e não eu a tecê-las. Por isso lhes deixo este texto de outra moça - estrela, como eu, cadente. Porque eu talvez pudesse tê-lo escrito à minha maneira se ela não chegasse antes e tão certeira. E então me calo sem nada poder falar. Adeus!

E se é assim, que seja. Até que se encerre o ciclo. E me lembro do que em suas máscaras não gosto, algumas brilham demais, outras sorriem demais e tantas são bobas demais. Fica sempre ao lado o bom amigo clichê. O único que cumpre a promessa e nos acompanha, na saúde e na doença, na alegria e na tristeza. Eu, tão habituada ao silêncio que falo. E quando me apiedo dos seus ouvidos, grito. E muito tenho gritado com meus silêncios e, embora tanto queira, nada peço. De tanto que já tenho me disputando os olhos e a vontade. E os ouvidos. E a pele. Gostos e cheiros. Porque aprendi a agonia de meu pai ao ser ignorado. O pior que tem é chamar pessoa e ela não responder. Tá me ouvindo? Ouvi. E não pediria que fizesse as minhas vontades conforme às suas e nem tampouco que ficasse ou me fizesse feliz, o que sei ser com hormônios e pensamentos. Falta o discernimento de que acontecimentos felizes são os que acontecem. Infelizes todos podem ser, mesmo os pobres e os sem vaidade. E feliz não é o que vem de você, mas o que me atinge quando estou ao seu lado. Esse lugar. Nenhum outro pode ser alcançado além do que se ponha o pé. E o corpo, prestes ao florir.


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Quinta-feira, 11 de Junho de 2009

Apesar deste gosto amargo na boca, você me faz sorrir com o coração. E penso se não desaprendo meu amor por te gostar. Me esqueço dos outros sabores, mais ocres aos ouvidos, longe das fagulhas que em você me encantam. Perco o rumo pra te seguir sem direção e, quando ascende a dor, gozo. Porque esta sensação, ainda que o perfeito esteja longe, me convence a não passar paixões para o pretérito, nem as esperanças para um futuro vão. Sofro porque quero o infinito impossível, mas sei que não existem encontros, então não deixo de buscar.


Da noite de ontem, no ônibus.

Domingo, 7 de Junho de 2009

Olho para o chão e os passos são espelhos. Lua enchendo a noite desse céu de nuvens cinzas. Não olho o caminho por onde vamos, porque penso que já o conheço bem, afinal, por quantas vezes andei sozinha por ali? As luzes dos postes não iluminam minhas idéias. Aquele braço me envolve os ombros e pesa. É uma posse indesejada, uma proteção que não preciso, e sinto aquele aperto no peito, conhecido e doloroso. De algumas coisas eu fiz questão de esquecer pra seguir vivente. Outras, abandonei no canto da estrada, caso alguém quisesse para si. Nada disso me pertence mais, levou lavou a água da chuva. Hoje de manhã eu disse adeus e o vento frio me beijou. Senti que fosse um bom sinal.

Terça-feira, 2 de Junho de 2009

aquela última peça, que completasse o quebra-cabeça de mim mesma, deixo ao alcance da visão e longe das mãos.

me sinto mais quando estou imprecisa.
e ainda agora preciso de mais.

Domingo, 31 de Maio de 2009

A página em branco me desafia: quer mesmo escrever? Terá coragem de dizer o indizível? De transpor em linhas o que se passa por dentro dos poros da pele? De construir uma gaiola para estes pensamentos que evaporam com o suor? De deixá-los trancados do lado de fora e além de seu controle, correndo o risco de que qualquer um abra a prisão forjada e os libertem para voos muito mais altos que sua capacidade de sonhar?

***

(...) Queria esquecer seu endereço para que extraviassem todas as minhas cartas cheias de erros gramaticais sentimentais.

1.4.9.

Quinta-feira, 28 de Maio de 2009


Todas as portas estão fechadas. Hoje. Amanhã. Nunca. É carnaval.
Porque me faz mal pensar que o mundo não é diferente.
Porque me faz sentir que talvez não possa mudar.

E sinto medo. E sinto frio e calor. E não sinto fome, nem sede e desespero.
Porque me esqueço do que importa.
Mas o que é importante?

É acordar todo dia e ler esses livros e pensar sobre o que eles dizem.
Mas pensar ainda mais sobre o que eles não dizem, assim, tão fácil e além.
Entre as linhas.
Esqueça as linhas.
Saio da linha.

Porque é essa vontade mesmo "de chorar porque eles estão comendo pizza. MAS ELES SÓ ESTÃO COMENDO PIZZA! Eles estão só comendo pizza."
Porque a gente esquece? Porque a gente é cego e surdo e o asfalto está lá e eu não tenho pernas pra correr. Eu não tenho braços pra rastejar e chegar ao fim.

Porque aquele moço cor-de-rosa, claro e limpo, entra - e sua única refeição do ano está posta no chão - e ele não se senta pra comer. Ele é meu super-herói. Ele supera. Ele sabe o que importa.

Eu, Tu, Ele, Nós, Vós, Eles, Não.

Terça-feira, 19 de Maio de 2009

não tinha que ser assim, mas é aquela música, a radical dreamers, que diz "às vezes abraço o amor e a dor tão forte"

talvez quando entender o que está por detrás das "engrenagens do tempo" isso mude
mas não quero procurar mais.

Segunda-feira, 11 de Maio de 2009

o outono é uma estação que sempre me faz mudar.

não quero perder nada.
mas só existe uma escolha.

Domingo, 19 de Abril de 2009

os nossos olhos nos traem, se encontram para dizer o que negam as palavras. meu silêncio soca grãos de sonhos secos ao sol e um aroma forte de vida ouve a morte.

só um desmaio: perdida a memória da dor, nunca me faria frio o medo imaginado do lamento.

acaso me esqueça do que passou e as cicatrizes que marcam meu peito se calarem, caio outra vez na sua armadilha (pássaro ávido e raro) e, ao fechar da arapuca, desmancho as melodias da minha liberdade.

então perco meu encanto em você.
e abandone seu encanto por mim...

Segunda-feira, 13 de Abril de 2009

um dia ainda subo no salto e vejo o mundo do alto: assim ninguém me atinge. mas, desequilibro, ainda me descuido; tropeço, meus pés não conhecem por onde andam; caio, permito que se aproximem e me passam rasteiras.

pouco importa: não nasci mesmo para as alturas. vou continuar aqui, debaixo das cotoveladas. caminhem apressados uns sobre os outros. eu apenas observo. minha memória só não esquece quem falhou comigo.

Sexta-feira, 3 de Abril de 2009

amor? é só uma palavra. e o que ela diz não preenche o meu vazio.
amor... eu quis tanto te dizer em verso, em prosa e em silêncio - em silêncio ainda o digo - mas, muito antes que pudesse, me impediram. me quebraram as mãos. costuraram pontos cegos em minha boca. em voz grave estouraram os meus tímpanos. fiquei sem pés e não sem chão.
amor! é só uma palavra! e não preenche o meu vazio o que ela diz!

palavra:
amor, (s.m.)
dilacera o que eu sinto.

amor. e ainda sinto muito!

Quarta-feira, 25 de Março de 2009

eu devia - e poderia - me sentir mais. ainda mais sozinha. mas não quero. se eu for mesmo essa cusparada no prato-feito por mãos cansadas do mesmo cardápio, não me sinto menos só porque gosmenta. as chuvas do fim de março esfriam o meu corpo, a alma e o mundo. nessa volta elíptica da vida, acompanhando a terra, também não paro de girar. parece cansativo, mas se o verão cede lugar a mais um outono, como supus me amargurar pelas despedidas?

dito as verdades e os pontos-finais.
as mentiras sejam feitas por vocês.

Terça-feira, 17 de Março de 2009

acho que as estrelas e o cosmo e o mundo inteiro sorriram quando eu nasci. não sei se um sorriso amarelo monocromático, mas sorriram, enfim.
esta viagem marcada antecipadamente pra curar o corte que eu mesma me faria, por puro descuido. de volta à rotina, agora, quando eu mais preciso de respirar ares novos e ver o mundo de outro ângulo de visão, estou indo!
obrigada ao que quer que seja. destino ou deus ou tanto faz! volto melhor do que vou.

leve como as primeis folhas que cairão com a brisa do outono que chega.

Segunda-feira, 16 de Março de 2009

vem a chuva e lava meu corpo coberto de chagas. purifica o que eu já não sei mais e leva na corrente o mal e o bem querer que já não quero. vem a lava e acaba o ciclo. qualquer coisa que comece antes é preciso terminar.
Vou dizer que foi um presente do "Chains" pro começo dessa semana que vai doer, mas que também tem Radiohead e Museu da Língua Portuguesa no final.

Sabe aquelas músicas que te cantam? Pois é. I am small and needy...

Sia - Breath Me



Ignorem o começo (e o fim) do vídeo, mas foi o primeiro que eu vi e o melhor que achei.